Como está o cenário de transplante renal no Brasil atualmente?

Vou já começar lhe dando uma ótima notícia. O Brasil, quando comparado a todos os países no mundo em número de transplantes renais, ocupa a segunda posição, com 5700 transplantes renais realizados a cada ano. O primeiro lugar fica com os Estados Unidos, que realiza 17.878 transplantes por ano. Entretanto, mesmo assim, há mais de 21 mil brasileiros que esperam por um rim no país, segundo os dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

AINDA NÃO É O SUFICIENTE: Agora que sabemos que ocupamos a segunda posição mundial, vou lhe explicar por que isso ainda não é suficiente para que a fila de pessoas que esperam por um transplante de rim diminua.

Estamos em segundo lugar porque as proporções continentais do nosso país são enormes. Se fizermos uma comparação entre o número de transplantes realizados por milhar de população, ocuparemos o 33º lugar, fazendo 28 transplantes a cada mil habitantes. Ou seja, a cada mil habitantes, conseguimos realizar apenas 28 transplantes. Esse resultado se aproxima muito a países como Uruguai e Argentina.

O nosso sistema de captação e alocação de órgãos é altamente ineficiente. Ou seja, se melhorarmos nosso sistema, poderemos salvar ainda mais vidas. A seguir, vou abordar o fator sistema e a falta de conhecimento da população perante o transplante renal, que são os dois principais motivos de não conseguirmos executar com sucesso mais transplantes.

SISTEMA FALHO E FALTA DE CONHECIMENTO: O sistema brasileiro de criação de legislação que faça a regulamentação dos transplantes renais é bastante lento. Foi apenas em 1997, com 10 anos de atrasos, que a lei que regulamenta o conceito de morte encefálica e os transplantes e doações de órgãos no nosso país. O Sistema Nacional de Transplantes foi criado neste mesmo ano. Outro fator que dificulta um transplante renal é a distribuição não heterogênea dos serviços de transplantes. A maioria dos procedimentos acontece nas regiões Sul e Sudeste. Em 25% dos Estados do Brasil não realizam procedimento.

Outro fator crucial que não permite que o número de transplantes renais aumente é a falta de conhecimento por parte da população. Muitos não sabem como é o procedimento de transplantes. Outros, não acreditam em morte encefálica e como isso afeta positivamente em um transplante renal. A falta de informação e segurança faz com que a recusa familiar do doador efetivo seja bastante alta.

QUEM PODE DOAR : Há dois tipos de doadores: os vivos e os falecidos. No caso do doador vivo, além da compatibilidade sanguínea, são realizados vários exames de certificação da saúde do rim. É necessária ter a garantia de que não possui nenhuma doença a ser transmitida ou risco para fazer a retirada do rim. O doador vivo pode manifestar o desejo espontâneo e de forma voluntária para ser doador. Já em casos de doadores falecidos, o órgão é retirado após a morte encefálica e com autorização dos familiares.

Mesmo assim, vários exames são feitos para se certificar de que o rim está em perfeito funcionamento, além de analisar a compatibilidade, evitando ao máximo a rejeição do órgão. Para receber o rim de um doador falecido, é necessário que o receptor esteja inscrito na lista da Central de Transplantes do Estado onde o transplante será realizado. Os critérios para essa lista são compatibilidade e o tempo de espera da lista. Ou seja, quem está esperando há mais tempo, tem preferência.

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