Chikungunya e seus riscos: fique de olho!

A febre chikungunya é uma doença causada por um vírus que apresenta determinados sintomas parecidos com os da dengue, sendo eles febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e também as manchas vermelhas pelo corpo. A febre chikungunya não acarreta complicações hemorrágicas, portando é uma infecção menos mortal que a dengue.

A febre chikungunya é transmitida pelos mosquitos Aedes Aegypti e o Albopictus, os mesmo que transmitem os vírus da febre amarela e dengue, sendo esse o motivo pelo qual essa doença conseguiu chegar ao Brasil.

Neste artigo será abordado um pouco sobre a febre chikungunya, desde seus sintomas, formas de transmissão, até diagnóstico e tratamentos.

Transmissão

A febre chikungunya é transmitida pelo vírus Chikungunya – CHIKV – que é um vírus transmitido por artrópodes. Especificamente nos casos dessa febre, os vírus são transmitidos através dos mosquitos Aedes Aegypti e o Albopictus.

Portanto,  é transmitido pela picada de mosquitos contaminados. Exceto em situações específicas não há a transmissão do vírus de uma pessoa para a outra.

Você pode conviver normalmente com uma pessoa infectada que não há nenhum risco de contágio.

Quando o mosquito pica alguém que está infectado pela febre chikungunya, o sangue contaminado entra pelo sistema digestivo e então é absorvido, após isso que o vírus passa a se multiplicar dentro do inseto, chegando nas glândulas salivares depois de alguns dias. Esse período em que o mosquito passa a ser contaminante é chamado de incubação extrínseca.

Esse período dura cerca de 10 dias, mas esse período pode variar. Quanto mais quente for a temperatura ambiente do local onde o mosquito está, menor é o tempo de encubação. Em locais que a temperatura é baixa, o mosquito pode acabar morrendo antes do período de encubação se completar, devido a isso a maior incidência da febre chikungunya é em áreas tropicais.

A contaminação pela picada do mosquito é responsável pela maior parte dos casos de febre chikungunya, mas há outras formas de se contaminar.

Dentre elas está a transmissão vertical, passada da mãe para o bebê no parto. Como a transmissão é durante o parto, sendo ele normal ou cesárea, aparentemente o vírus não causa más-formações no bebê. Os recém-nascidos contaminados geralmente desenvolvem a doença de 3 a 7 dias após o nascimento, e o seu quadro clínico costuma ser mais grave do que nos adultos.

Outra forma de contaminação é pelo contato com o sangue de pacientes infectados. Transplante de órgãos, acidente com agulhas contaminadas e transplante de sangue são possíveis forma de transmissão.

Sintomas

O período de incubação da doença em humanos pode ser até 2 semanas, mas na maioria das vezes ela surge entre 3 e 7 dias após o indivíduo ter sido picado. Aproximadamente 80% das pessoas contaminadas desenvolverão alguns sintomas.

A fase aguda da febre chikungunya inicia com uma febre alta e súbita, em torno de 40ºC, acompanhada de mal-estar e dores nas articulações. As dores articulares geralmente surgem nas primeiras 48 horas e em 90% das pessoas infectadas. Essas dores são no corpo inteiro, mas com mais frequência nos punhos, mãos, tornozelos e pés.

Nos 2 ou 3 dias iniciais da doença, 75% dos pacientes apresentam pontos avermelhados na pele, que podem ter ou não algum relevo. Ele aparece mais nas mãos, pés e tronco.

Dor muscular, dor de cabeça, cansaço, vômitos, diarreia e dor abdominal são alguns sintomas da fase inicial da doença.

A fase aguda dura em torno de 3 a 7 dias, quando começam a desaparecer os sintomas. Em 80% dos casos o paciente entra em uma fase denominada subaguda, que é a continuidade ou piora das dores articulares. Se essas dores articulares não acabarem em 3 meses, o paciente entrou na fase crônica da doença, fase essa que pode durar por até 3 anos.

Complicações da febre chikungunya

Como a febre chikungunya não possui fase hemorrágica, ela parece ser uma virose mais benigna comparada a dengue. O seu problema é o risco de incapacitar o paciente pelas prolongadas e intensas dores articulares.

Mas, quando é adquirida em bebês, idosos ou pessoas com múltiplas doenças, principalmente cardíaca, neurológica ou pulmonar, a febre costuma ter uma evolução bem mais agressiva, podendo levar os pacientes à óbito. A taxa de mortalidade em idosos é cinquenta vezes maior comparado a adultos com menos de 45 anos.

Diagnóstico

A febre chikungunya pode ser diagnosticada por um exame que pesquisa os anticorpos no contra o CHIKV, chamado de sorologia. Anticorpos do tipo IgM podem ser identificados no sangue a partir do 5º ao 7º dia com sintomas.

Um exame mais rápido para diagnosticar é o RT-PCR, que consiste em pesquisar a presença de material genético do vírus no sangue. Esse exame é mais caro que a sorologia, mas é capaz de diagnosticar a febre chikungunya nos primeiros dias da doença.

Em análises de sangue comum é normal encontrar linfopenia – valores baixos de linfócitos; trombocitopenia – valores baixos de plaquetas; e mudanças nas enzimas hepáticas – TGO e TGP.

Tratamento da febre chikungunya

Assim como na dengue, não há um tratamento específico para a febre chikungunya, pois não há nenhum medicamento capaz de eliminar diretamente o vírus do organismo. A grande maioria dos pacientes contaminados irão se curar de forma natural após 7 a 10 dias com a doença. O tratamento que se sugere, é apenas sintomático e de suporte.

Para que o paciente não fique desidratado, indica-se consumir de 1,5 a 2 litros de água diariamente. Para controlar a febre e dores articulares, os remédios indicados são dipirona e paracetamol.

O uso de aspirina ou anti-inflamatórios devem ser evitados na fase aguda, pois se ao invés de febre chikungunya o paciente estiver com dengue, esses remédios aumentam o risco de hemorragias.

Na fase aguda é contra indicado o uso de corticoides, pois eles inibem o sistema imunológico. Mas, se na fase crônica da doença as dores articulares ainda estiverem fortes e não tiverem diminuído com o uso dos anti inflamatórios e analgésicos comuns, os corticoides podem então ser uma opção para controlar a dor.

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