O que muda na vida de um transplantado?

Quando o assunto é transplante de órgãos, o Brasil tem sido destaque mundial por ser o país com o maior número de transplantes realizados pelo sistema público de saúde. Só no primeiro semestre deste ano, foram realizados mais de 12 mil transplantes no país.

Graças a campanhas realizadas pelos governos e por entidades sociais, a conscientização das famílias que perdem entes queridos está aumentando cada vez mais e o número de doações de órgãos acompanhando esse aumento. Também é crescente a quantidade de pessoas que se declaram doadoras seja em vida ou caso haja morte cerebral.

Após constatada a morte cerebral, os órgãos que podem ser transplantados são: coração, fígado, córneas, pulmão, rins, pâncreas, ossos, veias e pele.

Já para ser doador vivo primeiro é necessário haver total compatibilidade. Sendo mais provável que haja sucesso no transplante se doador e receptor forem parentes próximos. Neste caso, os órgãos que podem ser doados são: um dos rins, parte de um pulmão ou do fígado e medula óssea.

Ainda não é comum como os órgãos citados, mas também já existem registros de transplantes de membros como mãos e até pênis.

É importante frisar que além de possuir algum parentesco com o receptor, o doador também precisa estar em boas condições de saúde e ter mais de 21 anos ou, se abaixe dessa idade, ter autorização judicial dos responsáveis.

É inegável que a realização de um transplante oferece vida nova ao paciente receptor e com toda a tecnologia á disposição da medicina a cada dia fica mais simples a realização deste procedimento para diversos órgãos, mesmo os mais complicados como pulmão e coração, tendo uma porcentagem alta de sucesso, embora a rejeição ainda seja uma realidade.

As cirurgias de transplante de órgãos geralmente são complexas e exigem muita perícia médica. O pós cirúrgicos também não é tão simples e é necessária uma vigilância total durante as primeiras 24 horas.

Depois de passada a fase crítica, quando o transplantado recebe alta médica; ficam marcados alguns exames no prazo de 7 dias para detectar qualquer possível rejeição que são repetidos durante 3 meses em média. Ele ainda tem todo um tratamento ao longo da vida para que o órgão recebido reaja e funcione adequadamente.

Mas a questão é: o que muda na vida de um transplantado?

A primeira medida é entender que um transplantado vai precisar de acompanhamento médico periódico durante toda a vida além de fazer uso de medicamentos imunossupressores, que são os remedos que ajudam o organismo a aceitar o órgão transplantado.

No mais, a vida do paciente transplantado segue normal. Mulheres que receberam órgãos como um rim, por exemplo, podem engravidar normalmente. As atividades esportivas podem e devem ser retomadas, a menos que haja restrição médica. Depois do período determinado pelos médicos de repouso, a readaptação é rápida.

O transplantado deve se assegurar de que está seguindo todas as orientações de seu médico e não abusar. É necessário ter uma alimentação saudável e abolir maus hábitos que tinha antes da cirurgia e que foram os responsáveis pela necessidade de um transplante.

Por exemplo: se uma pessoa teve problemas no fígado devido ao uso excessivo de álcool ou um fumante perdeu os pulmões por causa dos cigarros, esses vícios devem ser totalmente abolidos de sua nova vida.

Quanto a trabalhar, divertir-se, namorar e ser feliz, está tudo liberado. Afinal, como é costume dizer, quem recebe um órgão doado recebe uma segunda chance. Em muitos casos, o paciente estava com a vida por um fio e o transplante lhe traz de volta. Muitos pacientes citam que se sentem renovados como se estivessem mesmo recomeçando.

Todos os cuidados com a saúde devem ser tomados por qualquer pessoa, em qualquer situação, mas quanto aos transplantados, os cuidados precisam ser ainda maiores. Principalmente porque nos casos de órgãos duplos, por exemplo, enquanto uma pessoa normal vive com dois pulmões ou rins, o paciente receptor precisa se adequar a viver com somente um.

Não que não seja possível. Isso é absolutamente natural, mas, como um só órgão está fazendo o trabalho de dois, aumenta a sobrecarga. Daí a necessidade de maiores cuidados e atenção.

Esses cuidados são a garantia de uma maior longevidade para o órgão recebido. Em média, estudos afirmam que um órgão nessa situação funciona bem por 10 anos, ás vezes até bem mais. Mas isso vai depender, é claro do estilo de vida do receptor e em ser metódico no uso dos imunossupressores.

A possibilidade de rejeição é maior nos três primeiros meses após o procedimento cirúrgico, mas, pode haver rejeição do novo órgão em qualquer época depois da cirurgia, mesmo depois de alguns anos. Por isso é importante observar qualquer alteração no funcionamento do órgão recebido. Alguns sinais servem de alerta de que algo não está bem. São eles:

  • Febre alta.
  • Alteração na frequência cardíaca.
  • Aumento excessivo da pressão sanguínea.
  • Inchaços e/ou dores no local do transplante.
  • Sangramentos.
  • Mal estar generalizado.

Ao perceber algum desses sintomas, encaminhe-se imediatamente para o hospital e certifique-se de conseguir informar ao médico de plantão sobre todos os medicamentos que faz uso.

Também vale ressaltar que devido ao transplante, o paciente fica mais frágil em casos de epidemias. Quando acontece algum surto infeccioso provocado por bactérias ou vírus que acometem um grupo da população, o transplantado deve ter cuidados redobrados.

As infecções também são mais perigosas depois desse tipo de cirurgia. É necessário evitar a todo custo. Para isso, é importante que o transplantado sempre informe sobre suas condições quando visitar o odontologista ou realizar quaisquer outros procedimentos passíveis de infecções.

As mulheres precisam conhecer quais os métodos contraceptivos que podem fazer uso e a recomendação é que evite o DIU e também é importante evitar uma gravidez no primeiro ano depois do transplante.

No mais os transplantados devem desfrutar dessa segunda chance. Renovar a vida é sempre um presente e precisa se aproveitado da melhor forma possível. Com todos os cuidados normais e um sentimento de gratidão você poderá muitos anos de vida.

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